Perda auditiva vai atingir + 30 milhões de pessoas no Brasil até 2015

Mal atinge também os jovens, por conta da poluição sonora; próteses auditivas ultra-avançadas permitem até atender o celular via controle remoto.

Afastamento familiar e do convívio social, dificuldade ao atender o telefone e assistir à televisão, irritabilidade e problemas de fala. Todos esses sinais podem ser facilmente confundidos com sintomas da depressão. No entanto, tratam-se de indícios de um dos males modernos que mais cresce entre a população de todo o mundo: a perda auditiva.

No Brasil, estima-se que, até 2015, 30 milhões de pessoas sofrerão da doença. No mundo, este número deverá avançar para 1,1 bilhão. O que torna o cenário ainda mais inquietante é que a perda auditiva vem atingindo também os jovens, além dos idosos, fase em que aparece com mais freqüência.

De acordo com o médico especialista em gerontologia e professor da PUC-SP, Prof.Dr. Paulo Canineu, a perda auditiva não deve ser confundida com as modificações normais da audição ocorridas em idosos pelo processo normal de envelhecimento. “Idosos acima de 85 anos já têm dificuldade normal de entendimento. Porém, torna-se uma patologia, quando a pessoa tem dificuldade de entendimento ao existirem várias pessoas conversando simultaneamente e, por isso, fica perguntando e tentando olhar nos lábios”, explica o médico especialista.

A boa audição, segundo Dr.Paulo Canineu, é indispensável à qualidade de vida e costuma trazer mais prejuízos, até mesmo, que a perda visual. “A perda auditiva faz com que a pessoa vá se retraindo e fique chateada de ter que perguntar a mesma coisa várias vezes. Uma vez que a audição está relacionada à fala, ela também acaba tendo problemas de cognição”, diz.

Quanto ao crescimento desse mal também entre os jovens, Dr.Paulo Canineu credita ao alto som em que costumam utilizar aparelhos, como IPod e MP3, além da poluição sonora do mundo acelerado de hoje. “Até em sala de aula, é comum, hoje, encontrar jovens escutando música com fones de ouvido e o som, mesmo assim, ser perfeitamente ouvido também pelos colegas”, exemplificou.

A fonoaudióloga Dra. Vanessa Fonseca Gardini, da Clínica Pro-Ouvir Siemens ,especializada em aparelhos auditivos a mais de quinze anos em Sorocaba, fala que as células do ouvido submetidas a sons acima de 90 decibéis (desagradáveis ao ser humano), durante mais de uma hora, já começam a ser danificadas. “O trânsito freqüente, como buzinas e outros sons altos, além dos aparelhos eletrônicos utilizados pelos jovens, têm contribuído para a perda auditiva cada vez mais cedo”, destacou a fonoaudióloga.

Segundo Dra. Vanessa, em sua clínica, ela recebe de 200 a 250 pessoas, por mês, com perda auditiva, sendo boa parte delas os jovens.

Mas, se por um lado, a perda auditiva atinge cada vez mais pessoas no mundo, por outro, as empresas de tecnologia correram atrás desse prejuízo. Em São Paulo, por exemplo, entre os próximos dias 30 de Junho e 2 de julho, haverá o VIII Encontro Internacional sobre Próteses Auditivas (EIPA), no Shopping Frei Caneca, quando serão apresentados os últimos avanços em aparelhos auditivos.

A fabricante Siemens, por exemplo, irá expor um controle remoto, o Tek Connect, que permite a transmissão wireless(sem fio) de celulares, TVs, MP3 e outros sons diretamente para a prótese auditiva ,ou seja transmite sinais de áudio para ambas orelhas em estéreo ,melhora entendimento da fala em ambiente ruidosos. “É um ganho de autonomia enorme para o paciente, que passa a escutar o celular, como se a pessoa, do outro lado da linha, estivesse falando ao pé do ouvido”, disse Dra. Vanessa, que participará do EIPA e, também, do EARENA, um treinamento exclusivo da Siemens sobre as novas tecnologias para o tratamento de perdas severas de audição, além do lançamento do aparelho totalmente à prova d’água (A quaris/Siemens) e de um programa exclusivo de auxilio ao paciente para o melhor entendimento e compreensão da fala.

Os próprios aparelhos estão cada vez menores e com design mais sofisticado. Há aparelhos de todas as cores e desenhos, externos e internos, para adultos e crianças e inclusive, o novo à prova d’água.

Zumbido: O que é isso?

Há quem diga que, mais complicado que não ouvir direito, é ter um zumbido “irritante e contínuo dentro da cabeça”.

O zumbido, como é chamado este mal também cada vez mais comum entre as pessoas, trata-se da percepção de um som que não está sendo gerado no ambiente externo e se assemelha a um apito, chiado, sino, grilo ou outro parecido. “É um incomodo muito grande para a pessoa, que passa a não se concentrar direito nas tarefas do dia a dia e ter dificuldade para dormir”, fala Dra. Vanessa.

Mas os avanços tecnológicos também estão tratando o tema com velocidade. A mesma fabricante Siemens já lançou uma prótese auditiva que neutraliza o som do zumbido e também gera sons de natureza, como mar, chuva e vento, para auxiliar na hora do sono. Esta prótese ainda pode ser acoplada a um travesseiro para maior conforto.

 Faça o teste você mesmo e veja se tem ou conhece alguém com perda auditiva:

Tem dificuldade de ouvir sons agudos, como vozes de mulheres e crianças ou canto de pássaros?

Tem problemas para ouvir em locais públicos, como concertos, cinemas, restaurantes, igrejas ou em situações em que a fonte sonora esteja longe?

Apresenta dificuldade em acompanhar uma conversa quando está em grupo de pessoas ou ao telefone?

Seus familiares reclamam que você assiste à televisão em um volume muito intenso?

Costuma solicitar às pessoas que repitam o que disseram ou que falem mais alto?

Evita situações como ir a restaurantes ou festas, aonde o nível de ruído impede que você acompanhe as conversas?

Você inclina a cabeça em direção à fonte sonora para ouvir melhor?

Se você respondeu sim a mais de uma dessas perguntas, é possível que tenha perda auditiva. A recomendação é que procure um fonoaudiólogo ou medico especialista.


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