Perda Auditiva Atinge 16% da população mundial.

Perda Auditiva Atinge 16% da população mundial.

Pessoas com problemas de surdez levam, em média, de sete a dez anos para procurar tratamento especializado

Diferente do que muitos pensam, a perda auditiva não é uma doença que atinge somente pessoas em idade avançada. Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) está presente em 16% da população mundial, sendo que, desse total, apenas 30% são idosos.

De acordo com o médico Godofredo Campos Borges, especialista em otorrinolaringologia e diretor adjunto da Faculdade de Ciências Médicas e da Saúde da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), as causas são variadas. “Existem as causas congénitas, que são menos frequentes, decorrentes de anomalias e defeito genético. No período perinatal, perto do nascimento, a criança também pode adquirir surdez, como, por exemplo, através da rubéola congénita. Mas, esse tipo de causa, felizmente, está diminuindo no nosso País. Problemas na hora do parto, quando a criança nasce muito prematura ou permanece muito tempo na UTI, também podem causar perda de audição”, explica.Segundo Borges, a principal causa da doença nas crianças é a otite em repetição. “É muito comum crianças pequenas terem otite em repetição. Esse tipo de problema se dá por pequenos descuidos das mães, que muitas vezes dão de mamar de um jeito errado, como por exemplo, deitado. São bobagens que podem ajudar a piorar a surdez. Mas, tratando a otite, esse tipo de surdez pode ser reversível, diferente da surdez causada por excesso de ruído, que não podem ser melhorada com o tempo”, comenta.
Borges conta que as pessoas podem adquirir a surdez por excesso de ruído no trabalho ou quando se escuta músicas em volume muito alto, com ou sem fone de ouvido. “Por motivos ocupacionais, no trabalho, pode acontecer quando, por exemplo, se trabalha em uma metalúrgica e não se usa o equipamento correto para proteger os ouvidos”, diz. Outros tipos de surdez irreversíveis, segundo Borges, são os causados por uso de remédios ototóxicos.Ainda de acordo com o médico, também existe a surdez genética, que pode ser adquirida em qualquer fase da vida e pode ser progressiva ou não. “Esse tipo de perda, conhecida como otosclerose, é irreversível e passa de geração para geração. Provém de alterações genéticas, atingindo principalmente as mulheres, na segunda ou terceira década da vida”, relata. Já os idosos perdem sua capacidade de ouvir por problemas metabólicos, como diabetes, pressão alta, alteração no nível de colesterol e triglicéride. “Obviamente, tem a causa da idade. Com a idade, vai aumentando a dificuldade para escutar. Algumas pessoas tem mais dificuldade, outras menos, e a idade potencializa isso. Mas, a perda de audição também se apresenta junto com a demência ou o Alzheimer, mas isso é em nível cerebral. A pessoa tem a capacidade de entender, de escutar, mas acaba não ouvindo pelo fato de ter problemas cerebrais.”, completa.
A OMS também divulga em seu estudo que, pessoas com problema de surdez levam, em média, de sete a dez anos para procurar tratamento especializado. O que mais preocupa sobre a característica silenciosa da perda auditiva é que, quanto mais tempo se passa sem o tratamento adequado e mais decibéis são perdidos de audição, maiores são as chances de se manifestarem outros males relacionados, como as demências, sendo a de maior incidência o Alzheimer. De acordo com pesquisa realizada por cientistas da Faculdade Medicina de Johns Hopkins, nos Estados Unidos, a cada dez decibéis perdidos de audição, os riscos de demência aumentam 27%.A fonoaudióloga especializada Vanessa Fonseca Gardini, da Pró-Ouvir Siemens Audiologia, em Sorocaba, esclarece que o estudo norte-americano não comprova que a perda auditiva é a causa de demências. Porém, evidencia que, ao colocar um aparelho auditivo adequado precocemente, o paciente com perda auditiva pode, sim, além de tratar esse problema, diminuir a chance do aparecimento de outras doenças, como o Alzheimer e a depressão. “A privação sensorial causada pela perda auditiva gera um isolamento social devastador, além da diminuição significativa das atividades cerebrais, como, por exemplo: atenção, entendimento de fala e memória que, por sua vez, facilitam o aparecimento das demências”, destaca.O aposentado Claudio Benedito de Lara, 66 anos, relata que começou a sentir sintomas da doença, como falta de concentração, de memória e até de orientação, há cinco anos. Lara, que ainda continua trabalhando como técnico eletrônico, viu seu emprego e sua vida social virarem um verdadeiro problema, quando não conseguia mais se concentrar e escutar o que as pessoas falavam.
Lara conta que a maior dificuldade no trabalho era chegar até os endereços combinados com os clientes. “Comecei a ficar desorientado. As pessoas me passavam um endereço para consertar uma TV, eu anotava corretamente, mas não conseguia me orientar para chegar ao local”. Em casa, o aposentado apresentava dificuldades para assistir à televisão. “O volume tinha que ser muito alto”, relembra.
Com a falta de atenção e crescente dificuldade para entender o que a perda da audição provoca, Claudio revela que ficava recluso e evitava o contato com a família e os amigos. “Fui entrando em depressão por não conseguir entender o que as pessoas falavam. Eu estava totalmente alheio ao mundo”, diz.
Ainda segundo o aposentado, foi apenas com o passar dos anos que a sua família percebeu que seu problema se tratava de perda de audição. “Fiz exames que comprovaram que eu não estava com problemas neurológicos e, sim, perdendo a audição”, afirma. Logo que recebeu o diagnóstico médico, Claudio procurou pela clínica especializada, onde recebeu todo o apoio necessário para superar a doença.

Agora, há quase 15 dias usando o aparelho, Claudio alega que sua vida já está melhorando. “Estou mais concentrado, consigo ouvir se tem alguém andando atrás de mim, quando alguém me chama, para dirigir e no convívio familiar. É como se a minha cabeça voltasse a funcionar e as ideias ficassem mais claras”, desabafa. (Supervisão: Aldo Fogaça)

Teste, rapidamente, a sua audição

1. As pessoas, geralmente, comentam que o volume de sua TV ou rádio está muito alto?
2. Você já deixou de receber visitas ou telefonemas porque não ouviu a campainha ou o telefone tocar?
3. Tem dificuldade em acompanhar conversas em locais com muitas pessoas e com muito barulho?
4. As pessoas parecem murmurar e não falar de forma clara?
5. Os outros comentam que você fala muito alto?
6. Costuma pedir que repitam o que disseram?
7. Amigos e familiares insinuam que você tem problema auditivo?
8. Você sente dificuldade em entender letras de música quando escuta rádio?
Se você respondeu “sim” a mais de uma pergunta, é possível que você tenha um problema auditivo. Dessa maneira, o primeiro passo é consultar um médico, que poderá conduzi-lo aos exames de audição e à determinação da natureza da sua perda auditiva, assim como medir o nível da mesma. Além disso, poderá recomendar o tratamento mais adequado e se um aparelho auditivo é indicado.

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