Reabilitação auditiva é possível, mas exige acompanhamento!

Ao falar da inclusão do surdo na sociedade, há duas vias de pensamento: a adaptação do ouvinte e adaptação do surdo. Enquanto a presidente da Associação do Amor Inclusivo (AAI), Maria Angela Oliveira, empenha-se pela primeira parte junto aos ensinamentos dos dois lados, especialistas da área da saúde atentam especificamente para a segunda.


A fonoaudióloga especialista em audição, Vanessa Gardini explica que muitas podem ser as causas de perda auditiva, como a exposição constante ou extrema ao ruído, envelhecimento, infecções e doenças crônicas, acidentes, fatores genéticos e efeitos colaterais de medicamentos. “Nenhum caso é igual ao outro, existindo diversos graus de perda e do comprometimento da fala”, conta Vanessa, que garante a necessidade de uma avaliação para proposição de melhor tratamento.


O teste da orelhinha, simples e indolor, é feito obrigatoriamente em todas as maternidades logo após o nascimento do bebê, segundo a fonoaudióloga. Caso a perda auditiva seja identificada de imediato, haverá encaminhamento para reabilitação com prótese auditiva ou implante coclear, assim como fonoaudiólogo para que a fala seja desenvolvida normalmente.


A professora Jéssica Barros, 33 anos, integrante da AAI, nasceu surda por conta da contração de rubéola pela mãe durante a gravidez. Por insistência da família, colocou o aparelho auditivo aos 6 anos de idade e aprendeu a falar. “No começo foi muito difícil. Meus amigos me chamavam de surda; eu tirava o aparelho e jogava na mochila”, conta.


Foram anos amedrontada pelo preconceito, até os 18 anos, já cursando Pedagogia e trabalhando como cuidadora de crianças especiais, conheceu uma menina surda e decidiu voltar a usar aparelhos auditivos para lhe encorajar. “Não tem nada de errado em ser surda e usar o aparelho”, salienta.


No entanto, nem todo surdo consegue adaptar-se aos aparelhos. É o caso de Márcio, também da AAI, que se sentiu incomodado pelos barulhos que ouvia. “Prefiro o silêncio”, sinaliza em Libras. O inspetor escolar aprendeu a ler lábios, mas não fala e nem tem a intenção de tentar usar o aparelho novamente – e viva bem com isso.


A fonoaudióloga Vanessa Gardini acredita que a falta de adaptação pode ser explicada por conta das diferentes tecnologias de cada tipo de aparelho auditivo. “Muitos pacientes acabam comprando um aparelho barato, mas sem qualidade”, afirma. “Também é fundamental levar em conta o acompanhamento. Ninguém consegue usar aparelho sozinho: ouvido junta cera, a audição muda e o equipamento eletrônico requer cuidado”, atenta Vanessa, para quem aposta na reabilitação auditiva deve-se aos desafios impostos pela sociedade. “Tem pouquíssima acessibilidade em escolas, cinemas, igrejas e teatros”, justifica.


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