Meu filho é deficiente auditivo, e agora?

Assim que a criança é diagnosticada com perda auditiva, a família passa a se questionar sobre quais serão os desafios a serem enfrentados a partir daí. Segundo a fonoaudióloga do Hospital das Clínicas de São PauloJeziela Moura, este é um período bastante difícil, principalmente porque, muitas vezes, mesmo com o diagnóstico audiológico finalizado e a indicação para a adaptação do Aparelho de Amplificação Sonora Individual (AASI) e/ou Implante Coclear (IC) demora para ‘cair a ficha’ dos familiares e, quase sempre, a decisão pelo tratamento é demorada. “A família tende a passar por um período de culpa e insegurança, além de procurar por outros profissionais para ter certeza de que o diagnóstico está correto. Essa postura acaba atrasando ainda mais o processo de intervenção”, explica a especialista.

A melhor recomendação, segundo ela, é confiar nos profissionais que estão envolvidos, pois serão eles que irão direcionar as etapas que deverão ser seguidas.”Quanto antes for iniciado o tratamento, melhor para o desenvolvimento da criança“, assegura.

Como preparar a criança?

Diferentemente dos adultos, que demoram a admitir a perda auditiva, a criança tende a aceitar naturalmente sua condição, assim como o uso do dispositivo de amplificação. ” Na maioria das vezes a criança espera ansiosa por ouvir melhor. Por isso, toda a explicação sobre como o tratamento será feito deve ocorrer de maneira natura, em uma linguagem simples e fácil de ser entendida pela criança”, diz a especialista. “A família deve estar sempre presente e colaborativa. A criança quando pequena, por exemplo, necessita que os pais ou responsáveis coloquem o dispositivo na orelha, caso contrário ela não vai usar. Se a família está engajada no processo, tudo tende a se resolver mais rapidamente e sem maiores conflitos.”

Na pré-adolescência e adolescência, por sua vez, a noção de preconceito que ainda existe sobre o uso do aparelho auditivo é mais presente. “Motivo pelo qual, em algum momento, esse público fica mais resistente ao uso do AASI. A conscientização sobre a importância da audição para o seu desenvolvimento, inclusive social, e o apoio da família e amigos são medidas fundamentais para romper esses estigmas.”

 


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