Jovens desenvolvem perda auditiva precoce

O hábito de usar fones de ouvido para escutar música diariamente e a frequência constante em ambientes muito barulhentos, como os de danceterias e shows, têm causado um aumento na prevalência de zumbido em adolescentes. O estudo, realizado por pesquisadores da Associação de Pesquisa Interdisciplinar e Divulgação do Zumbido (APIDIZ), da Faculdade de Medicina da USP, com auxílio da FAPESP, é resultado do projeto “Prevalência e causas de zumbido em adolescentes de classe média/alta”, publicado na revista Scientific Reports, do grupo Nature.

Os pesquisadores realizaram exames de ouvido (otoscopia) em 170 adolescentes na faixa etária de 11 a 17 anos, que também tiveram de responder um questionário que investigava se percebiam algum tipo de zumbido e, em caso afirmativo, qual era a frequência, duração e intensidade. Como resultado desse estudo, foi constatado que 54,7% dos jovens consultados, nos últimos 12 meses, tinham notado a presença de zumbido. Os especialistas esperavam um resultado semelhante a 37%, equivalente a um estudo realizado em 2007. Além do resultado muito superior ao estimado, muitos jovens revelaram na pesquisa que não se incomodam ou até acham normal terem zumbido – motivo pelo qual muitos pais não tomam conhecimento do problema, e os casos não são levados ao médico.

Os resultados dos testes revelaram, ainda, que 28,8% dos adolescentes ouviram zumbido nos ouvidos dentro da cabine acústica em níveis comparados aos de adultos.

A prevalência muito alta de zumbido em adolescentes é um primeiro sinal de alerta para o risco de desenvolver perda de audição. De acordo com os pesquisadores, se essa geração de adolescentes continuar se expondo a níveis muito elevados de ruído, provavelmente apresentará perda de audição entre 30 e 40 anos.

Causas do zumbido
O zumbido é causado pela lesão temporária ou definitiva das células ciliadas. Localizadas no ouvido interno (cóclea), essas células alongam e encurtam repetidamente quando estimuladas por vibrações sonoras. Ao serem estimuladas por altos níveis de vibrações sonoras, como os causados por uma explosão, fogos de artifícios, o som alto de um fone de ouvido ou em um show, por exemplo, essas células ciliadas ficam sobrecarregadas e podem sofrer lesões temporárias ou definitivas.

Para compensar a perda de função das células ciliadas lesionadas ou mortas, as regiões vizinhas passam a trabalhar em um ritmo mais acelerado do que o normal, o que dá origem ao zumbido.

Estudos recentes em neurociência realizados com animais também sugerem que o zumbido nos ouvidos pode ser um reflexo da perda de sinapses (comunicação) das células ciliadas com o nervo coclear e, posteriormente, com o cérebro. A perda dessas sinapses, causada pela exposição a altos níveis de ruído, pode provocar, além da diminuição da capacidade auditiva, alterações neurais em vias auditivas que reduzem a tolerância ao nível de som.

Formas de prevenção

De acordo com especialistas, é possível prevenir o zumbido:

Use protetor auricular.
Faça intervalos de dez minutos a cada hora de exposição a ambientes barulhentos.
Evite fazer jejum prolongado.
Não abuse de doces – principalmente chocolate – e de cafeína, nem de bebidas energéticas.

 


Comentários (0)


Deixe um comentário