Geriatras e fonoaudiólogos de Sorocaba discutem os prejuízos que a perda auditiva e o zumbido causam na vida dos idosos

Encontro aconteceu na última quarta-feira (13/06), destacando que esses problemas são um dos principais causadores do Mal de Alzheimer; Estudos indicam que 35% da população brasileira acima dos 65 anos sofre com perda auditiva. 

Médicos geriatras e fonoaudiólogos de Sorocaba e região reuniram-se, na última quarta-feira (13/06), no NovotelSorocaba, para discutir a influência da perda de audição e do zumbido na saúde neurológica e qualidade de vida dos idosos.

Conduzido pelos especialistas Prof. Dr. Paulo Canineu, médico geriatra e presidente da Ages (Associação de Geriatras de Sorocaba) e Prof.ª Dra. Gisele Munhóes, fonoaudióloga, o debate levantou questões e repercutiu pesquisas recentes a respeito da deficiência auditiva em idosos, sendo uma realização da clínica Pró-Ouvir Aparelhos Auditivos, de Sorocaba/SP, em parceria com a Ages.

Também participaram do encontro os médicos geriatras Dra. Maria Alice Regina de Souza, Dra. Tatchia Garcia, Dr. Gustavo Cavinatto, Dra. Eliane Ruzzante, Dr. Adson Passos, Dr. Charles Rodrigues e Dr. Paulo Sampaio, além das fonoaudiólogas Dra. Vanessa Gardini e Dra. Leticia Andrade Ipolyto, da Pró-Ouvir Aparelhos Auditivos, do gestor da empresa, Claudio Luccas e do representante, Milson Maschetto.

Prof. Dr. Canineu comentou sobre as novas pesquisas apresentadas no XXI Congresso Brasileiro de Geriatria e Gerontologia, realizado no Rio de Janeiro, que revelaram que a perda de audição é um dos principais fatores que desencadeiam o Mal de Alzheimer. “A perda auditiva interfere na cognição e em uma série de aspectos da vida do idoso, como a interação social e a personalidade, que passa a ficar mais quieto e isolado, por não conseguir se comunicar adequadamente. No último congresso brasileiro, a perda auditiva teve destaque, por ser um dos principais fatores causadores do Mal de Alzheimer. Além disso, influencia também no surgimento de outras patologias, como as depressões e as demências. Isso é grave, pois os idosos já sofrem com a degeneração natural propiciada pelo envelhecimento, que, combinada com a perda de audição não tratada, pode aumentar, e muito, as chances de desenvolver esses problemas”, destacou.

A fonoaudióloga Prof.ª Dra.Gisele apresentou pesquisas que ilustram os danos ao cérebro causados pela privação dos sons. “A deficiência auditiva inibe os estímulos cerebrais, que passa a degenerar em algumas regiões, facilitando o surgimento das doenças neurológicas. O quadro é bastante preocupante, pois as pessoas levam, em média, sete anos para procurar ajuda, após perceber alguma dificuldade em escutar e os primeiros danos ao cérebro já são observados logo nos primeiros meses de diminuição de capacidade auditiva. Por isto, é preciso ficar atento aos sinais de perda de audição e iniciar o tratamento de reabilitação o quanto antes”, pontuou.

Outro problema sério discutido durante o evento foi o zumbido, sintoma caracterizado pela percepção de sons que não são reais e que causam grande incômodo. “O zumbido já é uma epidemia. Um estudo do Jornal Brasileiro de Otorrinolaringologia revelou que 22% dos habitantes da cidade de São Paulo sofrem com o problema. É quase ¼ da população exposta ao zumbido, que não é uma doença, mas, sim, um sinal de alerta de que algo não vai bem com a saúde. O sintoma, quase sempre, é sinônimo de perda auditiva, no entanto, também pode ser causado por estresse, hipertensão, diabetes, excesso de cafeína, depressão, uso de alguns tipos de medicamentos, dentre outros fatores. O zumbido também atrapalha o sono, a audição e diversos outros aspectos psicossociais. Isso é potencialmente perigoso aos idosos, pois quase 90% de quem sofre com o zumbido, nessa faixa etária, também têm perda auditiva”, destacou Prof.ª Dra. Gisele.

Considerado o terceiro mais incapacitante sintoma, depois da dor e da tontura, o zumbido tem tratamento, frisou a especialista. “Em muitos casos associados à perda auditiva, o uso de aparelhos auditivos corrige a audição e também elimina o zumbido. Quando isso não ocorre, é preciso partir para terapias tonais, que buscam entreter o cérebro com outros sons, a fim de fazer desaparecer a percepção do sintoma. Um dos principais tratamentos nessa área é a terapia Notch, que funciona com o uso de aparelhos auditivos especiais, que cancelam os sons na frequência em que ocorre o zumbido. Desta forma, o cérebro vai, aos poucos, deixando de perceber o som estranho. Outras terapias envolvem o uso de dispositivos que emitem sons semelhantes a ondas do mar, que, da mesma forma, buscam reduzir a percepção do zumbido”, detalhou a fonoaudióloga.

Outra questão abordada foi o preconceito, ainda existente, quanto ao uso de aparelhos auditivos. “Ainda há muita resistência em utilizar aparelhos auditivos, sobretudo por parte de alguns idosos, que não querem admitir precisar de ajuda para ouvir adequadamente. Essa resistência só atrapalha, pois, enquanto a reabilitação auditiva não ocorre, a pessoa está mais exposta a todas as complicações decorrentes da perda de audição como isolamento ,depressão,declínio cognitivo zumbido e maior risco de quedas.Dessa forma, é preciso saber abordar o assunto com os mais velhos e deixar clara a importância da utilização dos aparelhos. Não há motivo para vergonha. Atualmente, os aparelhos auditivos são discretos, praticamente imperceptíveis, com tecnologia de ponta e conectividade total com outros dispositivos, como celular e televisão, para diminuição do esforço auditivo”, completou Dra. Vanessa Gardini, fonoaudióloga da Pró-Ouvir Aparelhos Auditivos.

O encontro também marcou a primeira reunião da Ages. Dra. Eliane Ruzzante, médica geriatra e secretária da associação, fala sobre os objetivos da nova entidade. “Criamos a Ages com o objetivo de fortalecer a geriatria em Sorocaba e região, promover a atualização e a reciclagem dos profissionais da área, reunir estatísticas e pesquisas sobre a terceira idade e auxiliar a população, além de fomentar a participação dos médicos membros em eventos e congressos da área”, pontuou. “Uma das primeiras ações da Ages foi a participação neste importante debate sobre a perda auditiva e o zumbido na terceira idade”, disse Prof. Dr. Canineu.

Outras informações sobre perda auditiva e zumbido podem ser obtidas pelo telefone: (15) 3231-6776 ou pelo site: www.proouvir.com.br.


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